2o Dia: Roma é feita de igrejas…e muuuuita caminhada

(já fica o aviso que esse post é loooongo…é que eu gosto de falar sobre arte…)

No nosso segundo dia em Roma fomos para o Vaticano. Meus pais nos deram de presente uma guia particular para passar a manhã conosco no Vaticano e foi um ótimo presente! Ter a guia particular conosco foi uma enorme mão na roda, pois conseguimos pular todas as filas (e elas eram LOOOONGAS! A guia nos falou que, recentemente, as filas para comprar ingresso para o Vaticano são de 1-2 horas…ou seja, se você for, compre seus ingressos antecipadamente na Internet) O Vaticano é incrivelmente LOTADO de gente! Os católicos que me perdoem, mas honestamente, o lugar é tão lotado, mas tão lotado (e tão mal organizado), que é praticamente um inferninho… Como já estudei várias das obras do Vaticano, queria poder curtí-las, admirá-las e ficar hipnotizada pelas obras. Infelizmente, não dá para fazer isso, por causa da muvuca. Quem já encarou Disney no verão americano sabe direitinho do que estou falando…imagina a multidão que existe em Disney, em um espaço bem menor, fechado, com pouquíssimo ar condicionado e organização nenhuma. Imaginou?! Isso é o Vaticano… (Ah, é claro, não é sempre assim…nossa guia nos contou que, pela “bagatela” de 1.000 euros por pessoa, você pode “fechar” o Vaticano a noite e fazer um tour estritamente particular, sem ninguém por perto…coisa de bacana…)

Além de pularmos fila e etc com a nossa guia, o maior benefício de tê-la por perto foi que aprendemos MUITO mais sobre a história do local e também sobre a arte maravilhosa que existe no museu do Vaticano. Acho que o Vaticano é um dos lugares que realmente é melhor visto acompanhado de um expert. É tanta arte, tanta história, que para realmente aproveitar o espaço, vale a pena investir um pouquinho mais e ir com um guia (não precisa investir mil euros, tá?! 😉

Mas vamos ao passeio…

Assim que entramos no museu do Vaticano, tiramos essa foto, com a Basílica de São Pedro no fundo. Vocês sabiam que a Basílica de São Pedro não é uma catedral (pois não é sede de um bispo) e também NÃO é a sede oficial do Papado? (A sede oficial é a Basílica de São João de Latrão) Ah, e a cúpula da Basílica de São Pedro, projetada por Michelangelo, é a mais alta do mundo, porém um pouco menor que a cúpula do Pantheon e a cúpula da Catedral de Florença.

Os corredores do Vaticano são completamente cobertos de arte, por todos os lados. Fica até difícil de escolher para onde olhar. Nesse caso, essa foto é de várias pinturas no teto, que utilizam a técnica do chiaroscuro (pintar com o efeito de luz e sombras, para criar a ilusão de tridimensionalidade). Não parece que é uma escultura, em alto relevo, ao invés de uma “mera” pintura?

Visitamos todas as quatro salas conhecidas como “Stanze di Raffaello,” por terem afrescos de Raffaello nas paredes. O afresco que mais admiro na vida (amo de paixão!) é a Scuola di Atene, ou Escola de Atenas, que representa a Academia de Platão. No centro da pintura, com um robe vermelho, temos Platão, apontando para os céus. Ao seu lado, com um robe azul, temos Aristóteles, segurando o livro “Ética”, enquanto aponta ao chão. O motivo pelo qual esses dois gigantes intelectuais apontam em direções diferentes é para justamente indicar para o espectador aonde devemos começar a busca intelectual. Para Platão, a busca vem de dedução, ou seja, do geral para o particular. Já Aristóteles argumentava o contrário com indução: começar do particular, do terrestre.

Além dos dois grandes filósofos, nesse afresco também vemos Ptolomeu (no canto inferior a direita, de costas para nós, com um robe laranja), Euclides (a esquerda de Ptolomeu, com um compasso na mão), Pitágoras (no canto inferior a esquerda, com um robe rosa, desenhando), Sócrates (a esquerda, com um robe verde), Michelangelo (barbudo, sentado no centro, apoiando o rosto no braço) e no cantinho a direita, ao lado direito de Ptolomeu, temos o próprio Raffaello, a única figura que ativamente olha para nós, os espectadores. Juro que poderia passar dias estudando esse afresco….
Depois dos salões do Raffaello, fomos para a Capela Sistina (que, cá entre nós, de capela não tem nada…) Infelizmente, esse local, que deveria ser um ambiente de introspecção, de paz e silêncio, é tão lotado de turistas que é impossível você ouvir seus próprios pensamentos (muito menos ter um momento de reflexão). Os guardas até pedem silêncio, mas os pedidos são completamente em vão. 
Mesmo com a muvuca quebrando o clima de paz para admirar esse trabalho, é difícil não ficar completamente impressionada com os detalhes todos desses afrescos maravilhosos. Primeiro que é bonito pra caramba! Segundo que pintar esse afresco, com gesso, no teto, no século 16, não era brincadeira…além de admirarmos a delicadeza e os desenhos de Michelangelo, também temos que admirar o puta esforço e criatividade que ele teve para fazer o trabalho todo. 

No teto da Capela Sistina, Michelangelo retratou os momentos mais importantes de Genesis, indo desde a criação do sol, passando pela criação de Adão e Eva, o pecado original e a expulsão do paraíso(última imagem da foto abaixo), e terminando no dilúvio, com Noé embriagado. Com essa seleção de histórias, Michelangelo queria mostrar o quanto o homem se distanciou de Deus, retratando Noé nu, seus filhos com vergonha. De acordo com nossa guia, a intenção era justamente criar uma separação entre Deus e os frequentadores da Capela, reforçando a idéia de que nós, humanos, tínhamos divagado muito da criação original, perfeita de Deus.

Na parede da Capela Sistina, assim que você entra, antes mesmo de ver o teto, a primeira coisa que você vê é esse afresco, entitulado “O Último Testamento,” também pintado por Michelangelo, mas uns 20 anos após ter terminado o teto da capela. Nesse afresco, Michelangelo retrata Cristo no centro, com Maria ao seu lado, enquanto várias almas seguem seu destino (a esquerda, as almas sobem para o paraíso, e a direita, elas caem para o inferno). É um trabalho monumental. 
É proíbido fotografar a Capela Sistina, por isso a foto completamente tosca…resolvi ser rebelde, desliguei o flash, e apontei para o alto, e dei meus clicks…o que saiu, saiu…para ver essa imagem melhor, clique aqui.
Depois da muvuca da Capela Sistina, precisávamos urgente de ar puro, longe de multidão, então fomos para a Piazza San Pietro, a praça em frente à Basílica. 
Não é que lá tinha um arco íris lindo?! 
E para encarar a última multidão, entramos na Basílica. Infelizmente, ela estava tão lotada, que nem conseguimos chegar perto do Baldacchino do Bernini (essa construção preta, parecendo um altar aí no fundo da foto) nem perto da Pieta do Michelangelo, e essas eram as duas coisas principais que queria ver na Basílica 😦 
 Pieta vista de longe…Essa escultura é uma das coisas mais delicadas que já vi. 
E para finalizar nossa visita ao Vaticano, uma foto em frente à Basílica de São Pedro. 
Assim que saímos do Vaticano, fomos direto para a Piazza Navona, para ver um pouquinho mais de Bernini, almoçar, e voltarmos a bater perna…pois é, de acordo com o Google Map, nesse dia andamos mais ou menos uns 7 km…
Na Piazza Navona, em frente a Fontana dei Quattro Fiumi, projetada por Bernini 🙂
Vocês sabiam que esse obelisco com a base feita por Bernini serviu de inspiração para o design da Tour Eiffel em Paris? 
Nessa escultura, Bernini esculpiu quatro figuras, cada uma representando os quatro maiores rios de cada canto do planeta (conhecidos naquela época…ou seja, os rios principais do século 17). Temos o Nilo, representando a África; o Danúbio, representando a Europa; o Ganges, representando a Ásia; e o Plata, representando as Américas.
Da Piazza Navona, fomos ao Palazzo Barberini. Infelizmente, esqueci de tirar fotos de lá. O Palazzo Barberini era a casa do Maffeo Barberini, antes de ele se tornar o Papa Urbano VIII. O Palazzo é lindíssimo, projetado originalmente por Maderno, mas terminado por Borromini e Bernini.
Após nossa visita ao Palazzo Barberini, fomos a uma das igrejas que mais queria ir (muito mais do que a Basílica de São Pedro ou qualquer outra catedral), a Santa Maria della Vittoria. Essa igreja é uma igrejinha barroca, com uma fachada meio sem graça, mas ao entrar, você vê que ela tem um “quê” MUITO especial! 
É nessa igreja que fica a Capela Coronaro, que possui um dos trabalhos mais lindos, mais delicados, e mais sensuais de Bernini (sim, eu quis dizer sensual mesmo…): O Êxtase de Santa Teresa! 
Essa foto não é minha…peguei no Google Images.
Em 2001, quando estudei história da arte e em particular, as obras de Bernini, fiquei fascinada por essa escultura. É uma das coisas mais lindas que existe. Juro que dá para ver o último suspiro de Santa Teresa saindo do corpo dela. 
Detalhe do rosto da escultura. Não é impressionante?! E extremamente sensual? (e não, essa interpretação sensual do êxtase místico de Teresa de Ávila não é algo moderno…) Quando Teresa descreveu seu encontro com um anjo, levando a sua transverberação, ela o descreveu de forma bem física, sensual, e após revelar sua escultura para o público em 1652, vários críticos ficaram ofendidos pela expressão facial que Bernini deu a escultura.
Essa foto também não é minha. Tirei do Google Images.
A escultura tem um efeito meio teatral, pois ao lado da escultura central de Santa Teresa, a gente vê os membros da família Coronaro em um balcão, como se eles estivessem assistindo a santa. 
Enquanto o Thiago sentava na igreja para descansar (o joelho dele não está legal…mais detalhes depois), eu passei uns bons 15 minutos admirando essa obra maravilhosa. Juro que dava vontade de tocar na escultura, só para ter certeza que ela era feita de mármore, completamente estática. Os trabalhos de Bernini são tão cheios de vida e movimento, que as vezes fica difícil acreditar que eles são esculturas sólidas e imóveis…
Depois de visitarmos a Santa Maria della Vittoria, fomos para a Sant’Andrea del Quirinale, uma das igrejas barocas mais clássicas de Roma, projetada por…Bernini! (óbvio, né? Eu falei no post anterior que tenho um love affair com ele…) A igreja é bem bonita, mas depois de ver a Capela Sistina e Santa Maria della Vittoria, a Sant’Andrea del Quirinale perde um pouco a graça (fica dica: visite ela ANTES de ir ao Vaticano 😉
Detalhe dos mosaícos no chão.
Após os 7 quilometros de caminhada (mais sei lá quantos km dentro de museus, igrejas e etc), a noite resolvemos descansar um pouquinho. Jantamos no Il Giardino di Albino, na Via Zucchelli, pertinho da Fontana del Tritone. Foi uma delícia! O lugar é super agradável, com um jardim interno e o atendimento foi ótimo. Pela primeira vez experimentei um tagliatelle al limone e fiquei viciada! Como é que não nunca tinha experimentado algo tão simples como macarrão ao molho de limão?! Delícia! 
Após o jantar, fomos passear mais um pouquinho para fazer a digestão, e inevitalmente acabamos na Fontana di Trevi. Tenho a impressão que todos os caminhos de Roma levam a Fontana di Trevi 🙂 
Aproveitamos e fomos logo na Piazza di Spagna. Juro que não entendo porque essa praça é point…acho tão sem graça…mesmo assim, foi um ótimo lugar para tomarmos nosso gelato noturno (religioso de cada dia!). 

4 comentários sobre “2o Dia: Roma é feita de igrejas…e muuuuita caminhada

  1. Nossa Helen..vc gosta mesmo de arte..sabe tudo das esculturas, igrejas…!! Pra quem gosta muito, assim como vc, essa viagem foi um pratão bem cheio, né??? rsrs….
    Eu até gosto, mas não chega a tanto não!! rsrs..

    Agora as pinturas dos corredores do Vaticano parecem mesmo esculturas….muito legal =)

    Beijos!!

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